Quem quer brincar às Escolinhas?
Sou leitor diário do Público online e a notícia sobre o lançamento oficial do Magalhães de hoje de manhã mereceu um comentário especial que rescrevo aqui:
Gostei do panaché de comentários que tenho visto por aqui. Destaco o do Sr. Fernando Ferreira que trata um leitor anónimo de analfabeta mas que não sabe que "há 40 anos" se escreve com "h" (do verbo haver) e não "à". Reacções ocas como esta só poluem o artigo e torna a lista de comentários mais longa.
Quanto ao Magalhães, não é inovação. O conceito em si não é made in Portugal (lembram-se dos portáteis com manivela para África?) e o investimento de milhões de euros em licenças da Micro$oft (Magalhães + e-escola) elevam-se a milhões de euros para dar aos jovens sistemas operativos defeituosos, quando o Linux é livre e completamente gratuito (afinal o Governo só quer ficar bem na fotografia... Acordos com gigantes internacionais é que está a dar!). Sinceramente, qual a criança de 11 anos que precisa de um computador só para ela? Não seria melhor investir em equipamento para escola? Criar salas abertas onde os alunos poderiam ter acesso à internet, etc.
Eu até vou mais longe: esta informatização brutal, repentina e quase obrigatória é uma grande rasteira. Muitos pensam que estamos a construir o Portugal do futuro. Creio que não é desta forma que o conseguiremos. Agora que é permitido *usar máquina de calcular na primária* é o espelho da burrice de quem está à frente do ensino em Portugal. Nessa idade é fundamental que as crianças desenvolvam uma capacidade de raciocínio e desenvolvam as capacidades psíquicas.
O futuro? Uma geração de limitados mentais superprotegidos e completamente à deriva vivendo num mundo paralelo inventado por um bando de incompetentes que em vez de se preocupar com a realidade do país faziam promessas vazias e brincavam aos índios e aos cowboys passavam horas a atirar à cara número e estatísticas de governos anteriores.
O futuro já começou, basta ver os alunos que estão a entrar para as Universidades. Mais parecem crianças do que adolescentes prestes a tornarem-se adultos (na atitude e responsabilidade). Afunda-te, Portugal...
Nuno Veloso
A este meu comentário adiciono mais dois de outros leitores que me referenciaram e reforçaram a ideia com mais argumentos. Espero que esses senhores não se importam. Aqui vai:
23.09.2008 - 10h58 - Manuel, Barcelos
Caro Nuno Veloso, eu não diria melhor. Para que diabo um miúdo precisa de um computador (ainda por cima ligado à net) numa idade em que devia estar a aprender a ler e escrever como deve ser e a desenvolver cálculos? Fora os estudos, o tempo deve ser gasto a brincar, mas longe das consolas e computadores: para termos putos saudáveis, ponham-nos a ir às uvas, jogar ao pilha, construir carros de rolamentos, etc. Agora andar com PC's infestados com uma porcaria de sistema operativo da Micro$oft, quando existem inúmeras distribuições de Linux muito melhores, mais fiáveis e mais fáceis de utilizar que esse monstro de cú alapado e sorvedor de recursos que é o Vista, santa paciência. Tudo isto é de uma tremenda irresponsabilidade. Esta gente passa ao lado de uma realidade e nem se quer aperceber. Triste país este. Ainda por cima, todos os dias a administração pública norte-americana troca a Micro$oft por software livre. Mas aqui é Portugal e ninguém leva a mal.
23.09.2008 - 11h49 - Arménio Pereira, Lisboa, Portugal
Ao Exmo. Senhor Nuno Veloso, Braga, Portugal - Gostaria por este meio de lhe agradecer a lucidez do seu comentário. Análises ponderadas e bem escritas vão cada vez mais constituindo uma surpresa e devem ser acarinhadas como um bem escasso. Só é de lamentar que, infelizmente, o retrato que traça pareça ser cada vez mais real. Bem-haja pela sua partilha.


















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